domingo, 30 de dezembro de 2012




Um Pouco de Historia da Educação
No feudalismo a principal forma de produção era o cultivo da terra, ou seja, a agricultura, que visava principalmente enriquecer os nobres e donos de terra, embora os servos feudais, ou camponeses como eram conhecidos, fossem “homens livres” continuavam presos aos grilhões da responsabilidade e obrigação de servir ao senhor feudais. Durante o feudo também existia a economia monástica, onde nos isolados monastério havia um sistema de servidão bem similar ao do feudo embora mais organizado, de modo que o modelo pedagógico também era baseado numa educação religiosa, pois a educação formal da época era quase que exclusiva e retida aos muros dos monastérios, Entretanto tanto a economia monástica e principalmente a feudal era um sistema de produção ande quem mais trabalhava tinha menos direito ao que se produzia.

 

A economia que havia por muito tempo assegurado a grandeza do mundo antigo aos pouco foi dando lugar a um novo sistema econômico que também se baseava no cultivo da terra, o feudalismo. No sistema escravocrata, onde os senhores de terra compravam os escravos e que embora não lhes pagasse um salário eram obrigados a sustentá-los, passou a dar prejuízo ao invés de lucros. “A miséria foi crescendo de tal forma, que a exploração dos domínios enormes – latifundia – por verdadeiros exércitos de escravos já não produzia rendas compensadoras. O cultivo em pequena escala voltou ser o único que compensava, o que é a mesma coisa que dizer que a escravidão se tornou desnecessária. O escravo passou a produzir menos do que custava a sua manutenção, e a partir desse momento ele desapareceu como um sistema de exploração em grande escala. (PONCE,2007).”
Com a decadência do sistema escravocrata pouco a igreja católica teve de fazer para atribuírem-lhe o fim da escravidão. O feudo inicia com a divisão das grandes extensões de terras que eram divididas em pequenas parcelas e, entregue aos colonos que ficavam encarregados de pagar uma renda fixa ao senhor feudal. Com o passar do tempo esses colonos foram substituídos pelos sevos (descendentes dos antigos escravos) e o vilão (descendente dos antigos colonos). Mas ao contrario dos servos que por serem descendentes dos antigos escravos e não tinha escolha, era obrigado a servir ao seu amo, o vilão escolhia servir ao senhor feudal assinando uma espécie de contrato onde recebia uma parcela de terra e se comprometia em pagar ao senhor feudal uma taxa fixa.


         A Igreja também mantinha uma produção baseada na servidão nos seus monastérios que em parte se diferenciava do feudo, onde o senhor feudal gastava toda riqueza que chegava as suas mãos, o monastério mantinha uma economia onde se retinha a riqueza adquirida através de uma rígida disciplina e uma notável organização de trabalho. A religião Cristã que antes era perseguida em Roma aos poucos foi se atenuando e se transformou em religião do império, e aos pouco foi se adaptando ao sistema econômico e os primeiros padres que ainda lutava contra a propriedade privada e a exploração foi aos poucos deixando de existir. “... Enquanto o escravo e o servo sofriam sob os seus senhores, o cristianismo proclamava que eles eram iguais diante de Deus.” (PONCE,2007).
Os monastérios foram por muito tempo segundo Aníbal Ponce grandes instituições bancária de credito rural, tendo em vista a sua hegemonia econômica e Pedagógica com acumulo de riqueza, visto que até mesmo os padres tinha de ser castos para que esses bens adquiridos continuassem pertencendo a Igreja, e não houvesse herdeiros. Se tornando um modelo de economia estável da época.  Mas embora a vida nos monastérios fosse tida como perfeita não era bem assim, pois como no feudo também existia a separação de classes, de um lado os monges, dedicados ao culto e ao estudo, do outro, os servos e conversos, sentenciados a trabalho braçal.
 



      Com adoção do cristianismo como religião do império romano, e com o desaparecimento das escolas pagãs que existiam espalhadas pelo império, a igreja se apressa em tomar para se a instrução publica, criando dois tipos de escolas, escola para oblata, responsável pela instrução religiosa, e a destinada à instrução da plebe, que tinha como finalidade impor os dogmas da Igreja as classes supostamente inferiores para torná-los submissos e conformados com a servidão. Por isso podemos dizer que o modelo pedagógico da época era a educação religiosa behaviorista. Durante toda a idade média as únicas universidades e editora existente eram os monastérios, (universidade aristocrática, e editora de publicações bibliofilias) por isso qualquer um, exceto os servos ou seus descendentes, para que tivessem uma educação formal ou algum interesse cultural só o encontrariam nos isolados monastérios, só dessa maneira era possível satisfazer-se intelectualmente, o individuo teria que entrar para uma espécie de convento isolando-se do resto do mundo conturbado do feudalismo “levantando uma muralha entre a sua cultura e a ignorância das massas” (PONCE,2007), mais o curioso e que Lutero menciona no filme (Lutero) e que embora esses jovem aprendessem a ler em latim, eles não entendia o quê estavam lendo, até mesmo o próprio Lutero quando questionado por seu instrutor (seu pai em cristo) no monastério se ele já avia lido o novo testamento (escrito em latim) embora já tivesse dos diplomas, ele responde que não. Mas o interesse dos senhores feudais em sua maioria eram simplesmente os saques e aumentar a sua riqueza, desprezando muitas vezes a instrução e a cultura.   Mas o fato de não entrar para um monastério para ser instruído intelectualmente não quer dizer que o nobre ficava sem escola num sentido mais rigoroso da palavra, pois assim como vimos nos primórdios da civilização romana, naquela época também o jovem nobre vivia sobre responsabilidade da sua mãe e ela era encarregado de educá-lo até completar os sete anos, logo em seguida iniciava-se uma espécie de treinamento onde no final ele se tornaria um cavaleiro.
Existiam guerras constantes entre os senhores feudais, uma guerra de cobiça por riquezas e poder, o interesse do senhor feudal não era conseguir fontes de riquezas, mais sim, saquear riquezas já produzidas e armazenadas por outros senhores fedais daí a importância de se ter uma forte representação militar por parte de seus cavaleiros e soldados, sem falar que propriedade feudal não era necessariamente, um grande latifúndio mas sim um tipo de propriedade fragmentada em varias propriedades, era comum o feudo ter que mudar a sua sede de propriedade em propriedade.
            Tendo em vista que o sistema feudal era muito falho embora tenha pendurado por vários séculos, e por ser dificuldade monetária, o maior problema dos nobres, a medida que o tempo foi passando eles se viram obrigados a abrir mão de alguns de seus privilégios, foi quando começou a se forma uma nova classe social que seria mais tarde chamada de burguesia.
Até o século X as cidades que radiavam os castelos feudais, não passavam de pequenas vilas, infestada de pobreza e miséria, resumindo se a poucos artesãos e domésticos que servia ao senhor feudal. Foi quando o senhor feudal viu que seria mais vantajoso permitir que seus servos passassem a trabalhar para terceiros e com o surgimento de novas técnicas, começa a flora o comercio, o que antes eram pequenas vilas passou a serem grandes centros comerciais, e o ultrapassado feudalismo começa a dar os seus últimos suspiro, e deixa de ser à base da economia da época.
            O surgimento de uma nova classe social, e essa grande transformação na economia, também se repercutir na educação, pois com o surgimento da burguesia a igreja se viu obrigada a se deslocar o seu ensino para as emergentes cidades criando assim as escolas das catedrais, o ensino passa então das mãos dos monges para o clero secular.



Referências bibliográficas:
PONCE, Anibal, int. A EDUCAÇÃO DO HOMEM ANTIGO, A educação do homem feudal – São Paulo, Cortez, 2007.
 
TILL, Eric . Lutero (Luther) – Estados Unidos, Casablanca Filmes, 2003.