Um
Pouco de Historia da Educação
No feudalismo a principal
forma de produção era o cultivo da terra, ou seja, a agricultura, que visava
principalmente enriquecer os nobres e donos de terra, embora os servos feudais,
ou camponeses como eram conhecidos, fossem “homens livres” continuavam presos
aos grilhões da responsabilidade e obrigação de servir ao senhor feudais.
Durante o feudo também existia a economia monástica, onde nos isolados
monastério havia um sistema de servidão bem similar ao do feudo embora mais
organizado, de modo que o modelo pedagógico também era baseado numa educação
religiosa, pois a educação formal da época era quase que exclusiva e retida aos
muros dos monastérios, Entretanto tanto a economia monástica e principalmente a
feudal era um sistema de produção ande quem mais trabalhava tinha menos direito
ao que se produzia.

A economia que havia por
muito tempo assegurado a grandeza do mundo antigo aos pouco foi dando lugar a
um novo sistema econômico que também se baseava no cultivo da terra, o
feudalismo. No sistema escravocrata, onde os senhores de terra compravam os
escravos e que embora não lhes pagasse um salário eram obrigados a
sustentá-los, passou a dar prejuízo ao invés de lucros. “A miséria foi
crescendo de tal forma, que a exploração dos domínios enormes – latifundia – por verdadeiros exércitos
de escravos já não produzia rendas compensadoras. O cultivo em pequena escala
voltou ser o único que compensava, o que
é a mesma coisa que dizer que a escravidão se tornou desnecessária. O escravo
passou a produzir menos do que custava a sua manutenção, e a partir desse
momento ele desapareceu como um sistema de exploração em grande escala.
(PONCE,2007).”
Com
a decadência do sistema escravocrata pouco a igreja católica teve de fazer para
atribuírem-lhe o fim da escravidão. O feudo inicia com a divisão das grandes
extensões de terras que eram divididas em pequenas parcelas e, entregue aos
colonos que ficavam encarregados de pagar uma renda fixa ao senhor feudal. Com
o passar do tempo esses colonos foram substituídos pelos sevos (descendentes dos antigos escravos) e o vilão (descendente dos
antigos colonos). Mas ao contrario dos servos que por serem descendentes
dos antigos escravos e não tinha escolha, era obrigado a servir ao seu amo, o
vilão escolhia servir ao senhor feudal assinando uma espécie de contrato onde
recebia uma parcela de terra e se comprometia em pagar ao senhor feudal uma
taxa fixa.
A Igreja também mantinha uma
produção baseada na servidão nos seus monastérios que em parte se diferenciava
do feudo, onde o senhor feudal gastava toda riqueza que chegava as suas mãos, o
monastério mantinha uma economia onde se retinha a riqueza adquirida através de
uma rígida disciplina e uma notável organização de trabalho. A religião Cristã
que antes era perseguida em Roma aos poucos foi se atenuando e se transformou
em religião do império, e aos pouco foi se adaptando ao sistema econômico e os
primeiros padres que ainda lutava contra a propriedade privada e a exploração
foi aos poucos deixando de existir. “... Enquanto o escravo e o servo sofriam
sob os seus senhores, o cristianismo proclamava que eles eram iguais diante de
Deus.” (PONCE,2007).
Os monastérios foram por muito tempo
segundo Aníbal Ponce grandes instituições bancária de credito rural, tendo em
vista a sua hegemonia econômica e Pedagógica com acumulo de riqueza, visto que
até mesmo os padres tinha de ser castos para que esses bens adquiridos
continuassem pertencendo a Igreja, e não houvesse herdeiros. Se tornando um modelo
de economia estável da época. Mas embora
a vida nos monastérios fosse tida como perfeita não era bem assim, pois como no
feudo também existia a separação de classes, de um lado os monges, dedicados ao
culto e ao estudo, do outro, os servos e conversos, sentenciados a trabalho
braçal.

Com
adoção do cristianismo como religião do império romano, e com o desaparecimento
das escolas pagãs que existiam espalhadas pelo império, a igreja se apressa em
tomar para se a instrução publica, criando dois tipos de escolas, escola para
oblata, responsável pela instrução religiosa, e a destinada à instrução da
plebe, que tinha como finalidade impor os dogmas da Igreja as classes
supostamente inferiores para torná-los submissos e conformados com a servidão.
Por isso podemos dizer que o modelo pedagógico da época era a educação
religiosa behaviorista. Durante toda a idade média as únicas universidades e
editora existente eram os monastérios, (universidade aristocrática, e editora
de publicações bibliofilias) por isso qualquer um, exceto os servos ou seus
descendentes, para que tivessem uma educação formal ou algum interesse cultural
só o encontrariam nos isolados monastérios, só dessa maneira era possível
satisfazer-se intelectualmente, o individuo teria que entrar para uma espécie
de convento isolando-se do resto do mundo conturbado do feudalismo “levantando
uma muralha entre a sua cultura e a ignorância das massas” (PONCE,2007), mais o
curioso e que Lutero menciona no filme (Lutero)
e que embora esses jovem aprendessem a ler em latim, eles não entendia o quê
estavam lendo, até mesmo o próprio Lutero quando questionado por seu instrutor
(seu pai em cristo) no monastério se ele já avia lido o novo testamento
(escrito em latim) embora já tivesse dos diplomas, ele responde que não. Mas o interesse dos senhores feudais em sua
maioria eram simplesmente os saques e aumentar a sua riqueza, desprezando
muitas vezes a instrução e a cultura.
Mas o fato de não entrar para um monastério para ser instruído
intelectualmente não quer dizer que o nobre ficava sem escola num sentido mais
rigoroso da palavra, pois assim como vimos nos primórdios da civilização
romana, naquela época também o jovem nobre vivia sobre responsabilidade da sua
mãe e ela era encarregado de educá-lo até completar os sete anos, logo em
seguida iniciava-se uma espécie de treinamento onde no final ele se tornaria um
cavaleiro.
Existiam
guerras constantes entre os senhores feudais, uma guerra de cobiça por riquezas
e poder, o interesse do senhor feudal não era conseguir fontes de riquezas,
mais sim, saquear riquezas já produzidas e armazenadas por outros senhores
fedais daí a importância de se ter uma forte representação militar por parte de
seus cavaleiros e soldados, sem falar que propriedade feudal não era necessariamente,
um grande latifúndio mas sim um tipo de propriedade fragmentada em varias
propriedades, era comum o feudo ter que mudar a sua sede de propriedade em
propriedade.
Tendo em vista que o sistema feudal
era muito falho embora tenha pendurado por vários séculos, e por ser
dificuldade monetária, o maior problema dos nobres, a medida que o tempo foi
passando eles se viram obrigados a abrir mão de alguns de seus privilégios, foi
quando começou a se forma uma nova classe social que seria mais tarde chamada de
burguesia.
Até
o século X as cidades que radiavam os castelos feudais, não passavam de
pequenas vilas, infestada de pobreza e miséria, resumindo se a poucos artesãos
e domésticos que servia ao senhor feudal. Foi quando o senhor feudal viu que
seria mais vantajoso permitir que seus servos passassem a trabalhar para
terceiros e com o surgimento de novas técnicas, começa a flora o comercio, o
que antes eram pequenas vilas passou a serem grandes centros comerciais, e o
ultrapassado feudalismo começa a dar os seus últimos suspiro, e deixa de ser à
base da economia da época.
O surgimento de uma nova classe
social, e essa grande transformação na economia, também se repercutir na
educação, pois com o surgimento da burguesia a igreja se viu obrigada a se
deslocar o seu ensino para as emergentes cidades criando assim as escolas das
catedrais, o ensino passa então das mãos dos monges para o clero secular.
Referências bibliográficas:
PONCE, Anibal, int. A EDUCAÇÃO DO HOMEM ANTIGO, A
educação do homem feudal – São Paulo, Cortez, 2007.
TILL, Eric . Lutero (Luther) – Estados Unidos, Casablanca Filmes, 2003.